Words
The need of words is not necessary. The marks of the words are written in your body.
How do you feel today???
With silence i tell you the true in the mark in it. NON STERILE.
Like a dance my one and only love. In the clothes the mark of words are written like salvation, but you can undress them, like feelings, you can use it and put it on the garbage, but the stain will live forever.
You dance and it is a death dance.
Imagens
Barulhos ensurdecedores envolvem-me num abraço estrangulado, é o vai e vem desta vida, que não espera, não acalma, como um elefante pisando troncos, guardando memórias de olhares vazios, estagnados nesta paisagem de pressas e presságios.
Todos sem excepção, fingem que observam o mar a ir e voltar…
De repente noto um vomitado interior espalhado nessa paisagem! com um esgar de segundos repara-se no cheiro, todos hospedam o olhar no próximo, se tropeça, se se deixa apanhar na mesma rede de revelações internas. É o medo destas entranhas, que nos transforma no mar: ir e voltar, ir e voltar, ir e voltar, indiferentes a nós, aos outros, o nosso espelho, uma figura reflectida, uma amálgama de figuras distorcidas, de tristezas expostas a olhares indiscretos.
“Como te chamas? – diz uma delas”
“Fraco, simplesmente fraco” E todos fogem das imagens reflectidas á procura da sua, mais disfarçadamente alegre.
Num momento
Em ti amei a aflição escondida numa conversa, grupo de cores distintas de vozes rasgadas num trago de vinho, escondidos numa fumaça de gestos arrepiados pela pele.
E somos apenas um momento juntinhos…tão suaves…
Em ti amei o branco virar mancha, conversas privadas num soar fininho de coisas boas
Quando nos encontramos??…
Fico aflita pela tua falta…rasgo a roupa numa espera de surpresas!
Só, de roupa rasgada, abandonada, molhada, frente a mim própria, procuro os bocados rasgados da espera que se escondem no sono, no bolso da memória.
Adormeces-me nas rugas do teu viver!
Entranhar
Encontro-te e escorrego na superficie da tua pele que me dás a experimentar, mas…eu quero mais, quero ir por dentro de ti, não és o meu espelho, não és outro…quero entranhar-me no teu cheiro, no teu corpo, beber a tua voz, ir por dentro de ti, pois de mim nem consigo encontrar
Velhas
Sempre elas…velhas senhoras que se tornam requintadas com o escalar dos anos, obesas, arrastando vestidos lustrosos e cintilantes, cheios de rugosas manias.
Algo se passa!!! observam-me ou…atrás da rigidez das costas, acossada, escondida num canto de momentos apressados, vigiando os pensamentos que ninguém supõe. Um sobe e desce de solidões que compõem a vida, vejo-as nesse olhar marcado pela indiferença de quem recebe a dor de braços abertos…sem livro de reclamações…sem a fiscalização de quem te rodeia.
Abana essa saia!!! tropeças nos rasgos de lucidez que ainda te resta.
Consulta 2
Entra e olha de raspão…tudo passa num tempo sem medida
O relógio deixa de bater enquanto passeia os olhos pelo chão, depois a mala, seguindo de dores a cadeira, tentando esgueirar um observar inquietante de silêncio…de espera…, até que se rasgue uma boca cheia de ruídos articulados.
Tudo passa num tempo sem medida naquela cabeça
Cada movimento é meticulosamente elaborado, cada dedo meticulosamente pensado “(pegar a alça…pousar a alça…costas da cadeira…encostar…).
Numa vergonha, velada por aqueles olhos abertos de espera…começou!
Começou por abrir o véu do incómodo numa cadeira demasiadamente próxima dele, numa mesa demasiadamente estreita para ela, num cinzeiro que se enchia de beatas com segredos contidos e apagados num nervoso miudinho demasiadamente óbvio. E nada daquela boca saía tão evidente como o seu comportamento escancarado de vergonha; tratando-o por você e querendo o tu!
“E então não ficou contente consigo própria?”
Ela ficava a pensar numa resposta rápida de modo que tapasse a verdade do seu corpo.
Acendeu outro cigarro…, respondeu-lhe numa rapidez abusiva e mudou de conversa. Queria abrir o véu completamente, mas fraquejava-lhe o rodopiar dos pensamentos, tornava-se numa adolescente ruborizada, de risos histéricos de tudo o que ele dizia “a João passa a semana a discutir comigo!” de repente rasgava-se a boca infantil em risos e tremuras caprichosas, desiquilibradas e nervosas.
” este gajo é doido!!! tenho mais que fazer!!!” mas a verdade é que isso acontecia!
Corar vermelho sangue
Um traço contínuo… Corres…corres…corres…corres…
Traço encarnado que lhe faz parar os pensamentos, fazer o quê?
Torce a cabeça á procura do princípio da estória, do começo do mundo, que lhe fez corar vermelho sangue; Corre à procura do que abomina e atrai, um risco, um caminho…foi buscar uma faca, quer percorrer a cor até doer; olha para ela estendida na mesa, à sua espera, que se decida” Quero-te tanto que doi!!!” Os demónios tentam sair pela ferida aberta que decidiu; pensamentos encarcerados gritam com voz de menino, querem explodir sobre a pele que não abre, fuma outro cigarro…tenta outra vez…
“estou mais resistente” pensa admirado; demónios timidos batem contra a parede, outra vez, continuamente atormentam-lhe a pele fina e azul como o fumo de um cigarro, que quase acaba, ” Que FÓDA!!! acabo o cigarro num minuto sem pensar no que interessa…”
Veloz, anda de cabeça entornada em copos vazios, distorcidos, a voar num mar de vivências cinzentas e quase que morre numa alegria que não é a dele, é quase uma mistura da imagem que foi, disfarçada e doente de solidões, tristezas encobertas de histéricas gargalhadas.
Surdez
Houve um dia que me esqueci de mim…e quis encontrar o que de mim fugia…a consciência!!!
Dei conta que estava magoada,não queria nada comigo
Chamou-me “Ouves-me??, estou aqui! OUVES-ME??…”
Não ouvi..fiz-me de surda
transpiração
Dá-te aquele frio no estômago e pões-te a roer o osso das tuas mãos…
Achas realmente que esse nervoso miudinho não se nota?! enganas-te… transpiras olhares por todos os teus poros, transpiras medo por todo o teu corpo, transpiras dissimulação por todas as tuas posições. Que combate é esse??? O teu corpo e aquilo em que pensas não é em tempo real, trava-se num mundo sem dimensão, aí o tempo não importa…,o espaço não importa…,nada importa! Continuas a boiar numa ilusão só tua, num momento que julgas só teu, num espaço sem regras de entrada! enquanto olhos perscrutadores assediam a tua transpiração para a realidade.
Julgas que não se nota!!!
Consulta 1
Perguntou “por acaso é algum comprimido para que eu possa engolir?!!! Eu com um comprimido, não tenho qualquer tipo de relação, limito-me a engolir, sem pena nenhuma do que ele possa sentir; saboreio egoisticamente aquela morte instantânea de dor e prazer que me provoca, num comprimido tenho sempre algo esperado, controlado e tangível, se tivesse alguma relação, ela, nunca seria esperada, controlada…até podia ser tangível, mas nunca seria uma certeza.
Dá-me permissão que o engula?”
Fez-se silêncio…a pergunta pairava no ar como uma ameaça, enquanto ele tentava perceber se deveria ser engolido ou não para que aquela relação tivesse pernas para andar.
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